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Em Setembro Maputo volta a ser capital da Juventude Africana

SOB o signo “África Pós-2015”, a cidade de Maputo vai acolher, de 22 a 25 de Setembro próximo, a II Conferência Africana da Juventude sobre a democracia e boa governação, anunciou ontem em Maputo a organização.A conferência vai juntar mais de 500 jovens líderes, representando as diferentes ligas juvenis dos partidos políticos, confissões religiosas, estudantes, empreendedores, comerciantes, agricultores, operários, professores, médicos, enfermeiros, jornalistas, desportistas, artistas, activistas de direitos cívicos, entre outros.

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O presidente do Parlamento Juvenil (PJ) – plataforma de advocacia em prol dos direitos e prioridades da juventude, Salomão Muchanga, disse que a conferência contará igualmente com a honrosa presença de representantes da União Africana (UA), das Nações Unidas, da Juventude do Parlamento Pan-Africano, antigos estadistas organizados pelo Fórum África, entre outros convidados.
Explicando as razões do lema “África Pós-2015”, Salomão Muchanga disse que este período é incontornável no calendário africano, pois marca o fim dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODMs) e o início de uma agenda eminentemente africana que é a agenda 2063, adoptada pelos Chefes de Estado e de Governo da União Africana.“É importante que os jovens africanos discutam os processos de participação efectiva na implementação desta agenda e estabeleçam um quadro que seja referência sobre as questões da democracia e boa governação”, afirmou.
De acordo com a nossa fonte, haverá nesta reunião dois instrumentos a ter em conta, nomeadamente a Carta Africana da Juventude e a Carta Africana sobre Democracia, Eleições e Boa Governação.
Há ainda dez temáticas constituintes deste encontro, a saber: legado e lições das lideranças africanas para a juventude; questões da paz e segurança em África; empoderamento da mulher jovem e o acesso a recursos; potencial agrícola e a indústria extractiva em África; educação e a era digital; direitos sexuais e reprodutivos/HIV-SIDA; água, terra e meio ambiente/desenvolvimento sustentável; migração na visão para além de 2015; negócios e fluxo de capitais ilícitos em África. A propósito deste item, Muchanga disse haver um painel de alto nível da UA, liderado pelo antigo estadista sul-africano Thabo Mbeki, havendo interesse da juventude em discutir um relatório sobre a matéria aprovado em Janeiro deste ano. Esse relatório, segundo acrescentou, aborda como a África perde mais de 50 biliões de dólares anualmente em fluxos financeiros ilícitos.
“Estas saídas significativas de receitas são maiores que os montantes recebidos por ano em ajuda ao desenvolvimento e muito maiores ainda que o montante gerado anualmente pelos governos africanos em impostos. Há, pois, todo o interesse em que o relatório seja debatido”, vincou Salomão Muchanga.
Referindo-se ainda ao lema da conferência, o presidente do Parlamento Juvenil disse que o que se pretende na essência é estabelecer em África um amplo movimento pela paz e desenvolvimento, assente em valores da democracia e boa governação, através de redes dos jovens líderes a nível de todo o continente e reforçar de forma ousada a voz da juventude junto dos governos de África e da União Africana.
A conferência vai terminar com a aprovação de um plano de acção da juventude sobre a democracia e boa governação, o qual será conectado a várias iniciativas africanas sobre o assunto. É que, segundo argumentou, muitos jovens africanos só se encontram quando organizados pelos governos e agências internacionais como as Nações Unidas.
“A diferença aqui é que os jovens é que promovem esta conferência para dialogarem com os governos e com as agências internacionais”, disse, acrescentando que “estamos a instalar um software” de cidadania activa e activante nos jovens africanos. Disse tratar-se, pois, de um espaço de inclusão.
Esta conferência devia acontecer no Burkina Fasso. Todavia, dada a insegurança política naquele país, a organização confiou Moçambique para que, pela segunda vez consecutiva, acolha o encontro. A primeira conferência teve lugar em Dezembro de 2012 e contou com a presença de alguns ex-estadistas africanos, tais como Joaquim Chissano e Pedro Pires, de Cabo Verde.

In, Jornal Notícias - 24/7/2015

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