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Moçambique tem 26% do território ocupado com àreas de conservação da biodeversidade

Os números apresentados estão acima dos padrões internacionais determinados pelas Nações Unidas, que falam entre 17 a 20 por cento. Para além de registar-se um progresso no sector das áreas de conservação, destacando-se a expansão da respectiva rede nacional, que passou de cerca de 20 por cento, em 2010, para os actuais 26 por cento, Moçambique tem acompanhado estas acções pelo enriquecimento do quadro legal para a gestão e protecção dos recursos de flora e fauna bravias, bem como o desenvolvimento de infra-estruturas de gestão e ainda a reabilitação da fauna bravia, através da reintrodução de animais de diversas espécies. 

elefantes

 

Contudo, o esforço de destinar vastas áreas para a conservação da biodiversidade tem sido ameaçado por vários fenómenos, um dos quais, e o mais saliente, é a caça furtiva, levada a cabo por sindicatos de crime organizado, cujo modo de actuação é transfronteiriço. Ontem em Pemba, Cabo Delgado, na abertura da IV Reunião Nacional das Áreas de Conservação, a Governadora Celmira da Silva voltou a lançar um aviso à navegação: é preciso continuar a desenvolver todos os esforços no sentido de estancar o problema da caça furtiva no país. Até porque as acções no terreno já são visíveis, mas não se deve relaxar. A preocupação e a insistência em ter que se estancar as incursões dos caçadores furtivos fazem todo o sentido se tiver em linha de conta que, por exemplo, segundo o último censo (2014), os parques e reservas da zona norte do país registaram uma perda de 458 elefantes de um total de 850. Uma redução da população de animais emblemáticos arrepiante. Na sua intervenção, para uma plateia com cerca de 90 participantes, todos com ligação institucional ou académica na conservação de recursos naturais, a Governadora de Cabo Delgado referiu que, apesar dos avanços registados, o sector de conservação ainda enfrenta problemas que são um autêntico desafio ao conhecimento e inteligência dos Homens de conservação no país. E no conjunto destes fenómenos, Celmira da Silva sublinhou a grande pressão sobre os recursos naturais resultantes da caça furtiva e da prática das comunidades, o que afecta a sobrevivência de espécies emblemáticas de flora e fauna, algumas das quais protegidas por lei. A diversificação das fontes de captação de receitas para as áreas de conservação, com vista a garantir a sustentabilidade da sua gestão, e a necessidade de se garantir maior efectividade de gestão das áreas de conservação são outros desafios que se apresentam aos técnicos e dirigentes deste sector.

PARQUES E RESERVAS INFLUENCIAM CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

O director-geral da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), Bartolomeu Soto afirmou que o grande marco desta reunião é a discussão sobre a abertura de fronteiras dos limites das áreas de conservação que são, de alguma forma, imaginárias. Pretende-se com esta questão, iniciar uma nova era na qual as áreas de conservação não são áreas fechadas em si mesmas para a conservação da biodiversidade naquele local, mas também têm influência para a conservação da biodiversidade em seu redor.“O Parque Nacional das Quirimbas serve apenas de exemplo e do mecanismo de influência para que dentro da província de Cabo-Delgado, se sigam os princípios da conservação de biodiversidade. Que cada parque jogue este papel na província que estiver. E aí é que nós vamos poder contribuir para a gestão ambiental do país”, disse. Soto reconheceu que a caça furtiva constitui um dos principais constrangimentos no desenvolvimento das acções de conservação.“Nós tínhamos no país cerca de 25 mil elefantes até há cinco anos. E reparamos que desse período a esta parte registamos uma perda de cerca de 48 por cento. Portanto, isso é grave. E as áreas mais afectadas são a Reserva do Niassa, Parque Nacional das Quirimbas, a província de Tete, onde temos o Programa Tchuma Tchatos, e o Parque Nacional do Limpopo.Mas, mostrou-se satisfeito com os esforços do Governo visando contrariar esta tendência que se assistiu nos últimos anos.“Por exemplo, na Reserva do Niassa perdemos no ano passado cerca de 400 elefantes, e este ano já perdemos 200 no mesmo local. Isso significa que as nossas acções estão a desencorajar a matança. E vamos continuar a recuperar e a trabalhar até conseguirmos ter perdas igual a zero”, disse. O director-geral da ANAC socorre-se dos dados estatísticos que têm sido tornados públicos, alguns dos quais este ano, para afirmar que o gráfico de perdas de animais resultantes da caça furtiva tem estado a inverter. E diz: “Os caçadores furtivos estão a ser punidos, incluindo os seus mandantes. Também estamos a trabalhar no sentido de desencorajar iniciativas deste género, porque esta é que é a chave, prevenir que as pessoas optem pela caça furtiva. Por isso, estamos a trabalhar com as comunidades, oferecendo alternativas económicas, fazendo ligação com outros sectores que não sejam a conservação em si, mas facilitando essa ligação com a agricultura, pecuária, agro-indústria e com outras formas”. Falou do projecto “Estrela”, que está a ser desenhado pelo Ministério da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, referindo que o mesmo vai permitir a proporção de oportunidades para que as comunidades estejam engajadas noutras actividades de geração de renda no âmbito do desenvolvimento rural.

In, Jornal Notícias, 30/10/2015

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