CAPULANA E SARI | Salim Sacoor | Jornal Sol, Revista Lua

Saris e Capulanas

Em tempos idos, mercadores indianos aportaram na ilha de Moçambique - como os árabes o faziam também - tentando vender produtos da sua terra. Em contrapartida recebiam outros bens que seriam uma mais-valia na sua terra.
Um destes mercadores indianos, terá trazido tecidos com uma estampagem invulgarmente bela, com cores garridas e, pela largura dos tecidos, pareciam feitos para as mulheres. Quando o experimentavam, pondo-os à cintura, logo lhes deu outro ar e caiu no agrado de todas as mulheres da Ilha de Moçambique.
Sempre me fez espécie ver os saris que as mulheres indianas vestem: começam por enrolar da cintura para baixo, dando umas tantas voltas, para depois atirarem o que resta do tecido para cima dos ombros para puderem cobrir as suas cabeças, como forma de respeito para com terceiros.
As mulheres Moçambicanas se envolvem no mesmo tipo de tecido. Mas não mete voltas e acaba por se ficar pela cintura mesmo. A blusa que compõe o resto do vestuário e o lenço com que cobrem a cabeça, dá – lhes um ar de respeito na imagem que projectam para os outros.
Há outras semelhanças que para mim são muito agradáveis de notar.
Por exemplo - começando pela época das chuvas -aqui em Moçambique quem não se molhou à chuva? Ninguém se importa de apanhar uma boa molha, até porque fugir por entre as gotas grossas de chuva, serpenteando por entre elas, faz- nos ficar bem-dispostos.
Mas quando se trata de mulheres, a chuva revela os seus contornos sensuais. Depois temos de nos abrigar no mesmo pequeníssimo espaço, no interior dum prédio ou num vão de escadas, a sensualidade aumenta brutalmente deixando-nos a pensar: – bendita chuva!
Na Índia, fartas vezes vi, nas reportagens e nos filmes, que as mulheres adoram molhar-se à chuva e tiram da mesma maneira o prazer de sentirem no corpo aquelas gotas frescas que, ao invés de arrefecerem o corpo, aumentam o seu calor, o que os olhos dos homens não deixam de notar enquanto elas torcem aquele excesso de tecido que utilizam para cobrir a cabeça e que só nos provoca mais o desejo de nos aproximarmos delas.
Quer seja de Capulana ou de Sari, quando elas começam a dançar, ondulando os seus corpos belos e esguios, deixando as ancas balançar ao som dos tambores e tablas -instrumento musical indiano que é o equivalente ao tambor- deixando a alegria tomar conta delas… não há imagem mais bela de se ver e, para quem sabe dançar e entrar na loucura ritmada da música, é chegar ao auge e deixar os corpos comungar.
O passar das mãos das mulheres pelas suas ancas, fazendo gestos sensuais, provocando com olhares quentes, tendo como fundo uma música que vai provocando, com a sua letra, o descontrole dos homens que limitam-se a ir ao encontro daquilo que elas estão a desejar.
As cores vivas das vestes, feitas de tecidos leves que ondulam no ar, ao sabor da dança, são ingredientes comuns que encontramos nas mulheres moçambicanas e indianas, refiro-me às da Índia mesmo.
As capulanas, tem desenhos belíssimos mas, infelizmente, raramente são elaborados em Moçambique o que é uma grande pena, porque se as fossem talvez estivessem a projectar uma imagem de marca do País.
Quem sabe um dia teremos uma Capulana genuína. Entretanto vejo o meu amigo Stewart Sukuma a vestir camisas feitas do tecido das capulanas muito atractivas e de tanto as vestir por onde quer que vá, um dia a moda pega...

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